
Quando veio,
Mostrou-me as mãos vazias,
As mãos como os meus dias,
Tao leves e banais...
*
E pediu-me
Que lhe levasse o medo,
Eu disse-lhe um segredo:
«Nao partas nunca mais»
*
E dançou,
Rodou no chão molhado,
Num beijo apertado
De barco contra o cais...
*
E uma asa, voa
A cada beijo teu,
Esta noite
Sou dono do céu,
E eu não sei quem te perdeu ...
*
Abraçou-me,
Como se abraça o tempo,
A vida num momento
Em gestos nunca iguais...
*
E parou,
Cantou contra o meu peito,
Num beijo imperfeito
Roubado nos umbrais...
*
E partiu,
Sem me dizer o nome,
Levando-me o perfume
De tantas noites mais...
*
E uma asa,voa
A cada beijo teu,
Esta noite
Sou dono do céu,
E eu não sei quem te perdeu...
*
E eu não sei quem te perdeu ...
*<>*
Pedro Abrunhosa